ROLL
Mauricio Salles Vasconcelos
Rubrica – CANTAR “Girassol – Um sutra – Um
Parque de diversões da mente
Roda-Gigante de um eu bem pequeno”
(Até que o poema ganhe corpo no poeta-performer-
Guia-Autor da Gira)
“Gira Agora Sol
Não-Eu De Repente”
Caminhante ao longo do tempo
Injeto todas e apareço na dita vida
Cada vez mais real – a pulsar
Dentro de um contorno saturado
Demasiadamente depois do humano – Um – humanista
Lá estou on the roll, mais do que na estrada,
O giro nada mais cede:
Eu ou um carregamento de coisas
Nas costas (Delírio para surgir
De vez nessa mesma vida
Entrecortada pelo nonsense história fim de ciclos
Beatniks sob ressurgências sem nome)
À volta de Tristessas foxes belezas
Do corpo sempre mais à frente
Da datação, em abismo: a linha do tempo
Costura sua moral alucinada
Ao ritmo do ar que se respira
Naturalmente dentro do redemunho
Tudo que antecede cada um e zera
A projeção de qualquer futuro
ON THE ROLL
– Um desnorteio de origem assumido como urgência pessoal
Mesmo por conta de guerras, abrigos ultratecnos
Like Corso – o mais simples respiro de fora para dentro –
Até se encontrar em um ponto interior, posto de gasolina
Perdido na distância/Panorama vestal varrido
Da Ideal Grécia, da Amerika High-Tech cisco por cisco
Em caso de perda dos dentes se for: a poesia escoa
Conta relatos radicais beatrices dos sexos preciados, nascentes
Bocas-sem-dentes até o encontro de seu fim
Like in Corso’s poem: “morrerei dentro de um canto”
Mesmo que as bocas-sem-dente da nascença toquem
O fecho/extremo de gente e tempo (sem nenhum dente
Apenas a fonte a força que cantam)
Guerra Química Farmaco Tecnologia Móbile –
Por exemplo, o reincidente automóvel/rodovia
In continuum e corpos
Como este até agora em avalanche
Rodeio no redemoinho
Bem leve, bem a mais
Só de tragar o símbolo (uma caveira
Piercing na ponta das línguas)
Todas as épocas num compacto – Girassol
Um Sutra, um Parque de Diversões na Cabeça –
Desafio à essência a um lugar sol-posto – Aditivo
Sempre sinuoso modo de chegar até aqui
VIDA quer dizer idade
Enquanto faz rol
Queremos dizer e então somos: Roll
IDA = VIDA sempre por surgir
Só fumando um unzinho
Só se gastando e gostando da vida inteira que se dá
Apenas Através de um sozinho
De alguém bem real
Solitário à procura de seus desconhecidos
Numa única vida
De um jeito sempre single
Uma canção e um decreto em descoberta
Passar
Pela rolagem mais violenta – internamentos inquéritos milícias
Delirar em cima do morro onde se maloca o entorpecente
Em orbitação sideral – Pertencemos portanto ao Globo
Mundializado, mera transfusão do lucro em falso
Surgido feito delírio intransferível
Em divisa da pedra pílula cristal nota de 100 Real entre moradores
Da Favela dos Desejos
Fazer viagem da cabeça
Aos pés
Em percurso dentro de si mesmo
Bem capaz – com toda surpresa –
DE traçar mapas
Imediatamente visíveis
Épocas são cruzadas
O que se entendia como bem antes – ancestral, medievo, perdido de tão
Remoto e jamais finito –
– Escancare este ácido tabu tatuagem
Já entrei na minha pele –
O que antes eram cruzadas
Agora faz um ponto-cruz
Chamam-se épocas: lugares
Impossíveis do Planeta
Capitais e periferias
Em busca de só um
Porque alguém se põe a pé
– Meditação e tráfico
Migração Tópica
Unzinho
Na face revolta, pura crosta
De erva: superfície-toda terra
IDADE – quer dizer
Vida (Aquela a transcorrer
Em “você”, coletiva clandestina, sim, só agora)
A vida toda de qualquer momento sempre
A continuar toda sua e
Alheia
Idade – Ideia
Não está na mente
Quer dizer vida a ser raptada
No delírio, no tráfego oculto da droga,
A mais aleatória, absoluta
A ser expelida até o fim
Desse um – para além dele
Dela, soberana sobra humanóide
Em representação de seu pronto extravio
(Um vazio um do humanista marco original
Em nome do um
Vagante até o próximo encontro no ponto
De sempre da Drugstore)
Idade – Ideia – Uma só ida sem volta
(Uma espécie de transporte,
Trainspotting imóvel em volta da mobília
De um quarto apenas para um
Na roda das rochas cascatas do real
Onde todos querem entrar ao mesmo tempo
A Natureza é um empreendimento
Não se dá à mão, “acenda, então, a beata”
O pó de todo credo, paraíso a crédito)
A era beat acabou, meu bem,
Acabou toda classificação em Eras
CUT-UP PLEASE THIS information
And zoom it
Em meu corpo esfomeado de gente e mais um
Um só a mais pela última promessa primeira vez do vício
Imanente à vida: O mais traficado interdito
VIDA quer significar IDADE
Conta de menos e Cume
(Do deambulatório, carregado no corpo
De cada um, carga e débito sem pagamento
De todo tempo da espécie
Já rolada antes e ainda em ação
Sabe-se não
DO AMBITO DA IDA) – IDADE igual a VIDA
Da esfera do transcorrido
E seu curso não-dado
Nunca findo
Só picando a pele –
EXPEDIÇÃO À CABEÇA
SATELITE SEMPRE INVISÍVEL
GUERRAS DO CRACK e encantamentos nunca antes transpostos
Missão autônoma de risco segue o rastro do mais disperso
Astronauta com os pés no chão ainda indescoberto
Logo aqui à frente
Só para um – o feito só de um só na bagagem bagaço do DESMEDIDO HUMANO Só se for
“Unzinho”
Desde a batida beat
Desde a última silhueta de alguém vivo
Estrada adentro sempre pelo meio
Insemino todas (as coisas líquidas, soltas no ar, duras na fonte)
Só mais um, eu, (quero) “unzinho”:
“A vida tomada numa talagada”
Refs. Inserts/
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Dante
