Poema ON THE ROLL (integrante da Récita Beat, evento paralelo à Mostra de Cinema BEAT, CCBB SÃO PAULO janeiro 2017)

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ROLL

Mauricio Salles Vasconcelos

Rubrica – CANTAR “Girassol – Um sutra – Um 

Parque de diversões da mente

Roda-Gigante de um eu bem pequeno”

(Até que o poema ganhe corpo no poeta-performer-

Guia-Autor da Gira)

“Gira Agora Sol

Não-Eu De Repente”

 

Caminhante ao longo do tempo

Injeto todas e apareço na dita   vida

Cada vez mais real – a pulsar

Dentro de um contorno saturado

Demasiadamente depois do humano – Um – humanista

Lá estou on the roll, mais do que na estrada,

O giro nada mais cede:

Eu ou um carregamento de coisas

Nas costas (Delírio para surgir

De vez nessa mesma vida

Entrecortada pelo nonsense história fim de ciclos

Beatniks sob ressurgências sem nome)

À volta de Tristessas foxes belezas

Do corpo sempre mais à frente

Da datação, em abismo: a linha do tempo

Costura sua moral alucinada

Ao ritmo do ar que se respira

Naturalmente dentro do redemunho

Tudo que antecede cada um e zera

A projeção de qualquer futuro

ON THE ROLL

– Um desnorteio de origem assumido como urgência pessoal

Mesmo por conta de guerras, abrigos ultratecnos

Like Corso – o mais simples respiro de fora para dentro –

Até se encontrar em um ponto interior, posto de gasolina

Perdido na distância/Panorama vestal varrido

Da Ideal Grécia, da Amerika High-Tech cisco por cisco

Em caso de perda dos dentes se for: a poesia escoa

Conta relatos radicais beatrices dos sexos preciados, nascentes

Bocas-sem-dentes até o encontro de seu fim

Like in Corso’s poem: “morrerei dentro de um canto”

Mesmo que as bocas-sem-dente da nascença toquem

O fecho/extremo de gente e tempo (sem nenhum dente

Apenas a fonte a força que cantam)

Guerra Química Farmaco Tecnologia Móbile –

Por exemplo, o reincidente automóvel/rodovia

In continuum e corpos

Como este até agora em avalanche

Rodeio no redemoinho

Bem leve, bem a mais

Só de tragar o símbolo (uma caveira

Piercing na ponta das línguas)

Todas as épocas num compacto – Girassol

Um Sutra, um Parque de Diversões na Cabeça –

Desafio à essência a um lugar sol-posto – Aditivo

Sempre sinuoso modo de chegar até aqui

VIDA quer dizer idade

Enquanto faz rol

Queremos dizer e então somos: Roll

IDA = VIDA sempre por surgir

Só fumando um unzinho

Só se gastando e gostando da vida inteira que se dá

Apenas  Através de um sozinho

De alguém bem real

Solitário à procura de seus desconhecidos

Numa única vida

De um jeito sempre single

Uma canção e um decreto em descoberta

Passar

Pela rolagem mais violenta – internamentos inquéritos milícias

Delirar em cima do morro onde se maloca o entorpecente

Em orbitação sideral – Pertencemos portanto ao Globo

Mundializado, mera transfusão do lucro em falso

Surgido feito delírio intransferível

Em divisa da pedra pílula cristal nota de 100 Real entre moradores

Da Favela dos Desejos

Fazer viagem da cabeça

Aos pés

Em percurso dentro de si mesmo

Bem capaz – com toda surpresa –

DE traçar mapas

Imediatamente visíveis

Épocas são cruzadas

O que se entendia como bem antes – ancestral, medievo, perdido de tão

Remoto e jamais finito –

– Escancare este ácido tabu tatuagem

Já entrei na minha pele –

O que antes eram cruzadas

Agora faz um ponto-cruz

Chamam-se épocas: lugares

Impossíveis do Planeta

Capitais e periferias

Em busca de só um

Porque alguém se põe a pé

– Meditação e tráfico

Migração Tópica

Unzinho

Na face revolta, pura crosta

De erva: superfície-toda terra

IDADE – quer dizer

Vida (Aquela a transcorrer

Em “você”, coletiva clandestina, sim, só agora)

A vida toda de qualquer momento sempre

A continuar toda sua e

Alheia

Idade – Ideia

Não está na mente

Quer dizer vida a ser raptada

No delírio, no tráfego oculto da droga,

A mais aleatória, absoluta

A ser expelida até o fim

Desse um – para além dele

Dela, soberana sobra humanóide

Em representação de seu pronto extravio

(Um vazio um do humanista marco original

Em nome do um

Vagante até o próximo encontro no ponto

De sempre da Drugstore)

Idade – Ideia – Uma só ida sem volta

(Uma espécie de transporte,

Trainspotting imóvel em volta da mobília

De um quarto apenas para um

Na roda das rochas cascatas do real

Onde todos querem entrar ao mesmo tempo

A Natureza é um empreendimento

Não se dá à mão, “acenda, então, a beata”

O pó de todo credo, paraíso a crédito)

A era beat acabou, meu bem,

Acabou toda classificação em Eras

CUT-UP PLEASE THIS information

And zoom it

Em meu corpo esfomeado de gente e mais um

Um só a mais pela última promessa primeira vez do vício

Imanente à vida: O mais traficado interdito

VIDA quer significar IDADE

Conta de menos e Cume

(Do deambulatório, carregado no corpo

De cada um, carga e débito sem pagamento

De todo tempo da espécie

Já rolada antes e ainda em ação

Sabe-se não

DO AMBITO DA IDA) – IDADE igual a VIDA

Da esfera do transcorrido

E seu curso não-dado

Nunca findo

Só picando a pele –

EXPEDIÇÃO À CABEÇA

SATELITE SEMPRE INVISÍVEL

GUERRAS DO CRACK e encantamentos nunca antes transpostos

Missão autônoma de risco segue o rastro do mais disperso

Astronauta com os pés no chão ainda indescoberto

Logo aqui à frente

Só para um – o feito só de um só na bagagem bagaço do DESMEDIDO HUMANO Só se for

“Unzinho”

Desde a batida beat

Desde a última silhueta de alguém vivo

Estrada adentro sempre pelo meio

Insemino todas (as coisas líquidas, soltas no ar, duras na fonte)

Só mais um, eu, (quero) “unzinho”:

“A vida tomada numa talagada”

 

Refs. Inserts/

Kerouac/Corso/Beatriz, Paul Preciado/Monte Hellman/

Conrad/Irvine Welsh/Ferlinghetti/Céline/Avital Ronell/W.S.B

Ginsberg/Pynchon

Dante

Avatar de Desconhecido

Autor: Kobo&Transistor

em sintonia com as artes e os diferentes campos de criação e conhecimento. sob o signo da História/História Cultural, da Política e da Filosofia em vertentes transdisciplinares. vivo é o interesse em mapear produções de variadas épocas para um diálogo com o presente, não pautado pelas valorações dispostas por imprensa/mercado/universidade. em tempo real, um ramal, um canal movido pela paixão de pensar, propor, celebrar o vigor e o vitalismo de uma época tão problemática quanto instigadora. a contrapelo do horror neonecroliberal infundido no Brasil e no Planeta. na linha-do-tempo, rede todo-dia. KOBO & TRANSISTOR

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