Este é um blog sobre histórias subterrâneas, a minha inclusive, cruzada com 2 filmes exponenciais, praticamente esquecidos (de certa forma, invisíveis, difíceis de exibição e acesso por download).
Este é um blog que busca rever do apagamento certeiras ativações das artes até hoje impulsionadoras de um sentido vital. Na contracorrente do fácil calendário sucessivo das décadas sobre épocas (ao ponto de não se compreender a radical virada de um milênio para outro) –
THE EDGE (Robert Kramer, 1967) e VIDA DE ARTISTA (Haroldo Marinho Barbosa, 1972).

O tempo passa e essas belas ficções centradas nas inquietudes políticas de mais de 50 anos se bifurcam no nosso presente.
A militância encampada por várias frentes, em The Edge, traz uma radiografia do ativismo chegando ao cume de um projeto de extermínio do Presidente (o Comandante da Guerra do Vietnã). Tal como aqui teve vigência entre 2019-2023, o mandante de tantos crimes coletivos e privês.
No longa nacional, promove-se a posse da terra para formas novas de vida, balizadas por teses de Feuerbach e inserts de Oswald de Andrade. Os planos da Terra vão se encaminhando num travelling, sem retorno, pelos descaminhos da droga nos becos e nos sufocos existenciais desaguados nos túneis de um claustrofóbico Rio de Janeiro (antes de se tornar A Furna da Onça).
Geografias e Genealogias ainda não encerradas. Trilhas que precisam ser conectadas com o mundo da informação, plugando o sedentarismo global internado/internalar e, ao mesmo tempo, incitando ações com a energia de virar o jogo político. Bem por trás e para lá das corporações, do fake informacional, da cultura opinativa montada em sistemas tautológicos de identidade e individualismo exibicionista.
Não há como recuar da urgência em transformar canais, ramais de saberes à nossa volta em ações constantes para mutação de uma História não explicável pelos fluxos dos capitais autogeradores da produção de pobreza. Quando tudo está no LIMITE, na MARGEM (Kramer) e acentua a Vida Artista de cada ser vivo para esplender em plenitude. FILMES PARA SEREM (RE) VISTOS. EXISTÊNCIAS inseparáveis de um Trabalho Político Cotidiano.

Os 2 filmes ainda incitam a necessidade de eletrizar corpos e mentes. Através de um fio não rompido de busca e inteireza, para além da mecânica repetitiva do que está aí através do teatro das representações partidárias e das instituições identitárias. Eis o que eclode em THE EDGE e VIDA DE ARTISTA.

Este é um blog centrado na captação de emergências criativas nas artes, nas áreas diversas de pensamento e política. Em diferentes, subterrâneas, entrecruzadas épocas, por aqui se disseminam. Só se for agora.
MSV
