

A contar do seu título – através da dinâmica de um anagrama sob o toque de propagação inerente à sua problemática ficcional –, a atual Novela das Nove – programa reiterado ad infinitum feito pano-de-fundo da vida no Brasil (uma “instituição” midiática, como alguns frisam) –, A Força do Querer promove sua recepção como A Força do Queer.
Com a supressão de uma única letra (e o ingresso em outra língua), o jogo formado com o nome da novela não se lê apenas como uma gozadora, gozosa associação. Desencadeia seus mais interessantes desdobramentos tendo como premissa o fator temático (constante das “linhas programáticas” de novelas e seriados, na incorporação dos efeitos de verismo e atualidade), tal como se evidencia no teledrama escrito por Glória Perez. Tudo o que se faz visualizar no debate acerca do transgênero propiciado pelo personagem Ivana/Ivan (Caroline Duarte) como também pelos atores Tarso Brant (no “papel” de si mesmo, Teresa/Tarso) e Maria Clara Spinelli (conhecida artista transsexual, intérprete de Miraceli, a secretária fake de um escritório de advocacia), integrantes do elenco, assim como se destaca na trama o travestismo de Nonato/Elis Miranda (Silvero Pereira). No entanto, ressalta-se o componente cross-gender por seu caráter de força, dado em um conjunto/campo, passível de se apreender através do desfile multitópico sempre apresentado pela novelista Perez (de um modo mais flagrante e, também, abrangente, a partir de O clone).
Ao alcance de um ponto em que querer não se dissocia do traço queer, ocorrem uma modulação e montagem narrativas capazes de expandir a compreensão insurgente e disseminadora da sexualidade no que envolve legibilidade/legitimidade em seu momento de projeção pública via TV, de sua ficcionalização como foco central. Queer quer dizer querer. Algo que pulsa muito além de um trocadilho de época (da época em que se passa a novela e, no futuro, poderá ser passível de servir como mera alusão paródica, “achatadora” de seus mais vivos elementos tematológicos, ao instante em que é transmitida, exatamente no ano de 2017, desde abril e com duração prevista até outubro/novembro).
O mais interessante na ambivalência de A força do querer, possível de ser entendida como A força do queer, está justamente na captação de um instante no tempo. Ganha relevo, de modo bem preciso e também pontual, o elemento característico da efemeridade da Telenovela, juntamente com seu poder de pregnância e captura de um decurso histórico de personae/figuras/elementos temáticos e culturais (de um modo serializado, cotidianizado, que nenhuma outra forma de arte e mídia realiza tão direta e flagrantemente, no interior de cada célula/casa/cabine de recepção noite a noite).
No momento em que a emergência da sexualidade em suas variantes trans se tornam mais e mais transparentes, apontando para diferentes formas de atuação no âmbito de estudos, espetáculos e eventos, a nova Novela das Nove centraliza tal enfoque numa derivação de prismas. Observável é a gradação (giro de sentido sobre um polo “temático”) que vai do luxo/luxúria do transformismo do motorista Nonato em Elis (Regina) Miranda (Carmen), à luz da diva-drag Jane di Castro, até tocar na angst da transição vivida por Ivana – com todo um tratamento sensível, intimista – na adoção da identidade de Ivan.
O sinal trans se revela com a dimensão possante de atravessamento – de modo a revelar o ultrassigno queer (que eu extraio do querer) como atributo polivalente das novas formas de sexualizar difundidas pela esfera crossing de modo mais explícito, patente.
Sob a imagem-coringa/palavra-passe/passe-partout da sexualidade, o Queer de todo Querer se faz deslizar sobre uma cadeia semiótica crescente, plurissignificativa dos diferentes planos inter-relacionados, intercambiantes, tomados pela afecção do que transita/traveste/transmuta. Enquanto cada um – dígito/índice de audiência – assiste à onipresente (em paroxismo e imantação simultâneos) Novela das Nove.
Passe-partout da socialidade – Passa-por-tudo o prefixo indicador de trajetória/transporte do querer. Não se separa mais do devir e da deriva de toda forma de sexo, indescartável, por sua vez, de uma travessia pela extensão do campo social.
Formulo aqui tais vertentes/variantes da transsexualidade com base no conceito de transdisciplinaridade concebido por Félix Guattari, desde os anos 1960 analista das novas formações psi, subjetivas, de gender, aos graus mais diversificadores das mutações dos campos das Ciências Humanas (e não só, quando se consideram suas inserções nos domínios da neurociência, genética, cibernética, física, entre outros). O co-autor de Mil Platôs já podia assinalar no desbravador O Anti-Édipo (ambos escritos ao lado de Deleuze) uma fonte produtora de formulações que ainda hoje percutem no universo contemporâneo de saber/sexo/ser:
…cada um é bissexuado, cada um tem os dois sexos (…) E assim, o nível das combinações elementares, é preciso fazer intervir pelo menos dois homens e duas mulheres para constituir a multiplicidade na qual se estabelecem comunicações transversais, conexões de objetos parciais e de fluxos… (Deleuze e Guattari, 2010: 97)
Partindo do estudo de La recherche du temps perdu, Deleuze podia lançar em Proust e os signos (em 1971, na segunda versão do livro) o ponto de seu encontro com Guattari, detonador de processos inovadores em várias esferas de conhecimento e acontecimento desde os 70. Quando incorpora o conceito de transversalidade proveniente do pensador da esquizoanálise, o filósofo não só transforma a análise do texto proustiano, como também a rota de seu itinerário disciplinar. E, ainda mais, fomenta nos âmbitos de cognição, arte, cultura, comportamento e sexualidade, uma chave poderosa de recomposição da origem, história e do horizonte sexuais, tal como se abre plenamente em nossa atualidade neomilenar, possível de ser lida no ativismo teórico de Beatriz/Paul Preciado.
Em seu ensaio “Da filosofia como modo superior de dar o cu”, a (o) escritora (o)/teórica (o) espanhol (a) deixa bem nítido o alcance de sua atuação enquanto transgender no universo dos “estudos da sexualidade”, alçando-os, no mesmo movimento investigativo, a uma desenvoltura especulativa capaz de redesenhar fronteiras filosóficas e o lugar tantas vezes estanque das matrizes literárias institucionalizadas como domínio soberano, pretensamente refratário à vida corrente/torrencial dos corpos e bens simbólicos em seus trajetos/cruzamentos tempos afora. O foco no conceito, proposto por Deleuze, de “homossexualidade molecular” – “materializada através de um coming-out que não se deixa reduzir nem à identidade nem à evidência das práticas” (Preciado, 2014: 173) – possibilita um debate/impasse da parte de Preciado, que muito contribui para as derivações do que se concebe como “hermafroditismo inicial” (nos termos deleuzeanos em torno de Proust) e se anuncia como “dissolução dos gêneros, o final do sexo como acoplamento de órgãos” (Ibid., 188).
Compreendida a homossexualidade como “a verdade do amor” (Proust Deleuze), a gênese de todo-sexo, o corte com o identitário em favor de uma homossexualidade-transversal acaba por irrigar o “arrombamento” da existência de todo ser – “uma espécie de enrabada [encoulage]”, frisa Preciado (Ibid., 192) – muito além da cópula/fecundação. Toma o primeiro plano um ataque-afectuação por detrás, ao modo de uma vida integral pela trilha da dorsalidade (como insemina David Wills, no essencial Dorsality). Desenrola-se a emergência, enfim, de um corpo integral em contrafluxo da ratio, em dissidência com o rosto/persona/espelhamento do humano cindido pela discursividade autotélica do nome/sexo próprios, de toda uma disposição insulada, segmentada, na simples assunção de uma identidade. Quando, depois das imprescindíveis marcações/afirmações históricas, no tempo presente as vivências todas se abrem para o desafio de manter a crista do desejo em alta, ao ritmo das flutuações sempre pluralistas, nascidas intermitantemente da erotização movida de um ponto a outro de um hibridismo de base.
Esperma, rio, esgoto, blenorragia ou vaga de palavras que não se deixam codificar, libido demasiado fluida e demasiado viscosa: uma violência à sintaxe (…) o não-senso erigido em fluxo, plurivocidade que volta a adentrar todas as relações. (Deleuze e Guattari, 2010: 179-180)
A dinâmica da implosão dos gêneros, contextualizada pela fascinante incursão do psicanalista argentino Ernesto Sinatra ao mundo de L@s nuev@s adict@s, não se pode abster do lastro da feminização do mundo como norteamento dos modos de viver/fazer sexo em um longo processamento de muitas décadas, de um a outro século/milênio.
Uma vez dissolvido o lugar masculino – paterno, onipresente em outros espaços de poder conexos ao regime familiar, comandado por uma noção de ordem determinante – como norma regida pela interdição (a partir da blocagem das infindáveis combinações de gozo/parcerias), a contemporaneidade avulta pela sinalização do devir sob a forma-mulher. Ao compasso das demoiselles en fleur, lembra-nos O Anti-Édipo em mais outra consonância proustiana. Impulsiona-nos o feminino em nascença, em afloramento festejante, um estado virgem definidor de todos os seres/sexos, em vez de ocupar um lugar apropriado, já acabado da marca femina sobre qualquer um/um a um. O devir-mulher desponta também para toda mulher.
Com o fim da família e do acoplamento/casal guiado por metas reprodutoras, as sexualidades (hetero/inter/través/trans) irrompem em um extracampo, lançado, entretanto, em infindável reconfiguração. Observável é o sinal incessante de um mais/um a mais/cada vez mais desempenho prazeroso, através de um chamado incansável de liberação/livre escolha. Hoje, invés da proibição do sexo, incita-se o acúmulo do gozo como regra. Por seu turno, nota-se como todas as formas/forças se confrontam com as dimensões capitaneadas pela adicção de um e sobre e – sejam os mercados, nas suas variadas segmentações, sejam as instituições (escolas, clínicas, espaços de saúde e saber com tratamentos os mais sofisticados, sustentados por discursos da sexologia) existentes por conta da afirmação do prazer. Ao infinito projetado por uma miríade de espelhos-fantasmas reveladores da reiteração de imagens hedonistas prévias, sem que se suprima o andamento de controle/consumo sobre os fluxos desejantes.
Parece não haver estado final e absoluto na trajetória das sexualidades através do que é torrencial e não se dá como simples corrente: entre muitos, cada vez mais diferentes outros em composição/contágio das mutações presentes (relacionais sempre, inexistindo, portanto, a defesa de um único front, em segmentação, como horizonte/vir-a-ser, dentro de um entendimento unilateral quando a implosão da ideia monolítica de sexo está em pauta e processo). Principalmente, quando a diversidade das orientações produz trocas entre si (transformam-se ao mesmo tempo, a despeito dos sinais a início de violência/resistência). Estão concebidas pelo andamento da transversalidade andrógina que funda cada/todo um em sua busca experimental, incessante.
Vida/história/conhecimento/acontecimento criam um verdadeiro cosmorama (há algo aí de fascínio natural e espetacular, a um só tempo) de instintos/impulsos/seduções/mediações, compreensível como campo-de-provas por onde séries e signos se apresentam inseparáveis dos apelos do desejo. Campo-de-provas em que se converte sempre o campo-de-forças – No sentido nietzscheano, relido na atualidade por Avital Ronell, apontando para contextos/quadraturas de poder/saber/controle nos quais se testificam e se tecnificam (por obra de disciplinarização e ordenamentos sistêmicos) as variadas/variáveis formas de existência e conhecimento. De tal modo que não há domínio/discurso imune a tal inserção político-epistêmica de transcurso/atravessamento, referente a qualquer desempenho/exercício de vida, no espaço/esquadrinhamento de um campo em exame/exposição. Tudo o que estria e também transvasa como experiência simultânea de prova e potência em interminável passagem.
Ivan Ivana e a(o)s outra(o)s
À maneira de súmula, poderia ser dito que assistimos no cotidiano de agora, em extensão à tela teledramática, as sexualidades em estado sempre nascente por conta da feminização do mundo (como conceituou Lacan o desejo na cultura, se alastrando para formações incisivas, pontuais, refiguradas na contemporaneidade por Avital Ronell e Ernesto Sinatra, em dois lados do continente americano).
Um contexto tornado alterno sob o signo feminizante – após demissão da soberania do pater famílias – tensiona-se entre conquista e captura. Os sinais legíveis/legitimáveis, envolvendo o queer/querer em alternância e fusão na Nova Novela das Nove, exibe simultaneamente uma quadratura da história das sexualidades em eclosão no nosso presente e o excesso de uma composição/combinatória dotada da sensibilidade de extravasar o componente queer como inapartável dos elos entre os diversificados modos de querer.
O constructo do continuum consolidado pelo grid programático da TV Nacional, por obra de uma sequencialização de fatos/fábulas intercalados a percorrer toda a faixa horária do dia/noite do tempo humano, reserva esse baralhamento de planos que a Novela no pico da audiência – meio da noite/retorno, recesso dos espectadores entre trabalho/lazer – produz, principalmente pelas mãos de Glória Perez. Em especial, quando percebemos que a telenovelista é uma experimentada condutora de um verdadeiro Parque Temático (em suas vertentes/variantes do verdadeiro), munido de impacto (por ordem de verismo/visualização) e poder de introspecção (em compasso com a recepção espectadora). Ao andamento intercambiante de estriamento e deslizamento das subjetividades, tomando em primeiro plano as derivações do queer com focagem na transição/transformação de gênero.
Interesssante se mostra seguir – “acompanhar a Novela”, como se fala popularmente (até o chiste de caminhão legendar “Não me acompanha que eu não sou Novela”) – a capacidade de A Força do Querer realizar a passagem de fluxos do desejo em tal pulsação mista de fluidez e configuração temática.
Conta, em seu empreendimento narrativo ao longo dos meses de uma transmissão diária, com a afirmação de instinto – plataforma das manifestações transgender/travestis e daquela relacionada ao híbrido Garota do litoral Norte/Sereia de Entretenimento-Empreendimento Aquário Natural no Centro-Sul do País – na organização de montagem/mostragem de um conjunto de ficções paralelas, tornadas coesas, coevas. Trânsitos geográficos em uma mesma nação, imprimindo modos de ser entendidos por um hibridismo irresolvível entre sereia/mulher (Ritinha por Isis Valverde) – gênese lendária por fecundação do boto amazônico – possibilitam um jogo, que ganha contorno de tema/questão como se materializa no personagem Silvana (Lília Cabral). Temos aí uma compulsiva Jogadora (a TV redesenha os personagens conceituais da Literatura) possuída pelo frenesi que dissolve pouco a pouco – na noite após noite de suas fugas para mesas de aposta – a fortuna familiar do grande empresário, que é seu marido, dilapidado gradativamente em seu obsessivo, monolítico, projeto de homo economicus.

Em meio à fábula da transição-gender, destaca-se Bibi – inspirada na história real de Fabiana Escobar, a Perigosa, a Baronesa do Pó –, uma jovem abismada nas promessas de ascensão social através da formação em Direito, atraída pouco a pouco pelo ganho (tão rápido quanto volátil) que favorece o narcotráfico, a ponto de comandá-lo em um morro na vizinhança de sua casa classe-média como líder inteligente, plena de estratégia e estonteante sensualidade (personagem e atriz obtêm uma espécie de auge da mulher na TV, criando um marco para Juliana Paes, numa impressionante voltagem/voragem de atuação). Por outro lado – em um extremo preciso -, intervém Jeiza (Paolla Oliveira), major da PM do Rio, faixa preta de jiu jitsu e lutadora de MMA. Perseguidora do tráfico, ela age contra a rota tomada por Bibi, desde que o marido desta se enveredou no narconegócio, demonstrando dureza, postura aguerrida nas posições profissionais e afetivas, no mesmo movimento em que insufla passionalidade na vivência de suas paixões heterossexuais.
Os personagens de Perez – não apenas os femininos, frise-se, quando se observam as gradações emocionais de Zeca e Rui, através de um elo que os liga desde a infância pelo fator do impulso/instinto (uma aventura pelas águas do Norte), chegando-se até Eugenio, em sua forma passiva de ser/viver/erotizar – agem sob influência (lembrando-se o filme-chave de Cassavetes com a impactante Gena Rowlands) da “força do querer”. Algo que ocorre no interior da configuração queer desenhada pelo conjunto da Novela, inseminadora de uma redistribuição de papeis e atributos às outras sexualidades, em correlação de planos/plataformas temáticas em mútuo contato/contágio. Uma afetivação generalizada toma o espaço do melô telenovelesco sob um traçado decorrente de feminização e homoerotização. Importa pôr em foco – à altura dos olhos espectadores – a potência metamórfica (tendo as mutações trans/cross como balizas) a enlaçar mulheres e homens da trama.
A Força do Querer é tudo – é isso e mais: um componente se acresce sob a ordem do dia tornado Noite da Novela que (se) segue. Agrega temas e pontos de confluência nos muitos núcleos em que se constitui para se emendar em mais outra novela (Novela/Narração é o que está sempre por vir). Um desenrolar de ficções, combinadas ao stream dos fatos vindos de telejornal (notícias, reportagens-espetáculos, incursões e maratonas desdobradas dos globais jornalismos) em uma continuada transmissão de imagens, viabiliza esse formato de ambivalência irresolvível –
Transição (dos afetos em seres/sexos, do psiquismo ante a realidade mediatizada), tráfico (de informação/poder/economia transnacional), tráfego (deambulação dos nômades do mundo globalizado, em trocas das mais altas às mais mendicantes esferas de desabrigo/ilegalidade) – não ao acaso, Ivana/Ivan e Nonato/Elis Miranda fazem trânsito pelas ruas à noite quando se debatem no impasse da afirmação trans/travestimento (chegam até mesmo se encontrar, num congraçamento, quando confrontados pela agressão dos passantes em face de suas posições hibridizadas, em desfile ao ar do tempo presente).
Justo, em um momento histórico tão conflitivo e denso como o de agora, desvirtuado para ordenações retroativas, descartadas do compromisso com a vida social sob orbitação do mesmo quadro econômico monovalente, corroborado por um processo incontornável de implosão apesar dos ditames de “tomada de poder” –, a Novela em curso se desenvolve pela marcação do termo trans a perpassar muitas trajetórias sem recusa do cruzamento cognitivo proposto por Guattari. Vivamente se mostra a impossibilidade de conter limites – do ganho da família Garcia tornado matéria do jogo vicioso de Silvana, assim como o que toca ao regional/local de nossa geografia – o Pará das dimensões míticas populares no seio/centro do País (Parazinho se instala nas formas cariocas de ser multicultural, em consonância com o ethos da mundialidade, sem restrição a qualquer regionalismo de capital litorânea rodeada de favelas e miragens postcards).
Quanto mais tematiza e, no mesmo instante, faz deslizar sua condição serializada – em um nítido diagrama de dia/noite projetado em teias do continuum fictivo/factual discorrido em telas televisivas –, A Força do Querer guarda a aporia de expor o fio fabular como dado inerente à factualidade de uma postura política, vitalista, no interior do mundo-imagem.
Uma intrincada relação de signos acaba por revelar noite a noite a via do querer – numa atualização gritante das políticas do desejo em contrapolo ao império audiovisual de notícias que nos rege na mesma extensão de estriamento e captura na qual a Rede, o Globo, exercem sobre um mesmo segmento/seguimento de ficções (por onde assistimos à História que passa). Quer dizer, a força do queer. Em um campo-de-forças
Mauricio Salles Vasconcelos
Referências Bibliográficas:
DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. O Anti-Édipo. Trad. Luiz. B.Orlandi. São Paulo: 34, 2010.
PRECIADO, Beatriz. Manifesto contrassexual. Trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: n-1, 2014.
SINATRA, Ernesto. @s nov@s adit@s: a implosão do gênero na feminização do mundo. Trad. Flávia Cera. Florianópolis: Editora Cultura e Barbárie, 2013.