“Isso mesmo: em curso”.
(A coisa, o caos de cada caso até seu acaso, caso/caos/coisa extrapolados de uma encadeada corrente, de tanto ser vista)
Em meio à conversa com o irmão, tomo uma trilha repentina.
Vem inteiramente na memória o trecho de uma postagem lançada no ar – aparentemente arbitrário (quanto mais amigos, conhecidos na distância, desconhecidos internalizados se reafirmam com suas faces de Álbum em Rede afiliada ou familiar) O retorno da mensagem chega nítida com senso de velocidade para percorrer um arquivo de 5 anos antes. Exatamente pelo dado, pelo fato de uma Novela em anúncio, prestes a ser estreada (sob a assinatura de Amora Mautner)
22 Novembro 2021
Depois de certa agonia, anotei no meu bloco ao lado da cabeceira dia e tarde da noite, fazendo postagem logo em seguida (meio do dia posterior)
A cara de 2021-2022, entre Amora e Jorge Mautner. No compasso da SérieStreamingTeleNovela/VERDADES SECRETAS 2 e do romance-música DEUS DA CHUVA E DA MORTE. Em 1962, o rock rebatizou o entendimento da história e da literatura, nas mãos de pai Jorge (“o herói tem uma capa de estrelas (…) na testa, uma estrela solitária da irmandade dos planetas”) . Em 2022, fica um legado de cenas elétricas do audiovisual mais instigante do Brasil, no calor da hora, sob o desfile fashion da trama (universo da Moda dá o mote) e o pano-de-fundo trazido com o currículo de crimes do Não-Presidente ainda em vigor (que horror!) Não paro de ver Jorge no extremo do tempo, em que Amora move as células sonoras dos dionisos romanescos sob a batida Bronski Beat, Chromatics, Billie Eilish, em erotismo desenfreado. Nos confins do confinamento que é o Não-Governo Bolsão: se estampa o corrupto corporativo horizonte horário. Depois do vírus, as casas se delimitam em fluxos-imagens.
Eu diante de Brás, meu irmão, em convalescença dentro de sua casa (um dia chamada de-campo), nesse instante concebida como retiro de um Meditador-Master (título obtido em Puna, Ìndia), aos poucos sendo tomada como célula de quem se afasta de tudo (de si, do entorno mesmo involuntariamente depois de tantas tentativas de agrupamento, de um muito ensejado acasalamento com uma mulher da Região)
Em 10 segundos terá início uma Novela de Amora Mautner (pois sua Direção Artística, tal como lhe é creditada na abertura de cada capítulo, reescreve, refaz o fio conservado pela Emissora acerca da Lei do Folhetim; quanto mais a escrita meses adentro é exacerbada em suas emoções, seus endereçamentos primários, ao convocar um núcleo de autores e atores em rodízio)
A TV tem tela enorme – surpreendente, tal recurso na morada do Meditador, onde venho me abrigar depois de algumas perdas pessoais de afeto, aliança, mais o desnorteio diante do que fazer, onde me empregar –
A ausência de meta, muitas vezes pontua uma longa experiência profissional. Abre seu vazio – sem nada no horizonte a se contornar. Provocadoramente, estabelece um ante – diante. Um adiante feito de imprecisão, desenhado, porém, com um sentido de algo frontal, fronteiriço, posto cara a cara de quem nada vislumbra de imediato.
Então, Brás me diz durante exatos 10 segundos: “Tem o efeito de uma lavagem de louça…ou de uma caminhada a esmo…esquecido de que sou mestre em meditação…é grande a necessidade de esvaziar não-pensamento em prática, pensamento do não-pensamento…muita sede em ter ao fim do dia uma forma de suma…saldo noturno enquanto correm imagens na contação de uma fábula antevista puramente televisiva, porém reencenada…feito coisa inédita quanto mais previsível ou pré-fabricada
Porque atua no instante (impensados 10 segundos em recontagem)”
No primeiro intervalo da Novela recém-estreada, dirijo-me ao único irmão (mesmo não sendo biológico) que tenho em vida –
BETA –
Vou te dizer uma súbita loucura, uma descoberta fundada em matriz muito bem vivida. Surgiu bem agora, nessa hora com você ao meu lado, o desejo de acompanhar Como dirige Amora Mautner –
Como é reescrita uma Telenovela Amora Mautner
BRÁS – (Sem tirar os olhos do merchandising em exibição, entre um e outro bloco-capítulo)
Não vai me falar que tem a ver com seu Pós-Doutorado…é isso?
Instantaneamente, vem de uma tela em projeção o que mais te põe em movimento e no mesmo segundo revela o ponto mais firme de enraizamento
Consigo apenas balançar minha cabeça em assentimento ao que vai se descortinar no entrecho a seguir, mas não paro de pensar durante/antes:
Isto, o curso
Tomado do que se diz de mais chapado nessa vida, nesse país mais de noticiário do que de fábula:
O mesmo mesmeriza, mas muda tudo num repente – basta olhar novamente o ponto aguardado como fixo, giratório em volta do que recicla e não repete o ponto-de-vista
(TV Enorme em projeção da mais Nova Novela na residência de um instrutor exausto, como que cindido no processar de seu ofício de Meditação)
(I-Pad em minhas mãos trêmulas de registradora do que se passa ante uma Novela como se fosse a trama ainda não surgida, mais do que insurgente)
Capítulo 1 –
Como dirige e (re) escreve Amora Mautner –
Título Indagação Incurso por Roberta Romani, com um livro publicado antes da peregrinação por jornalismo, publicidade e pós-graduações universitárias – A Romancista
O que é Ser e Romance, sob tal chancela de gênero-referência
“Um pós-doutorado como solução de sobrevivência”.
(Eis o insight inseparável do que vivi exatamente no correr de 5 anos, tempo da postagem sobre a novela em streaming realizada por Amora Mautner no perigoso ano 2021 alastrado duplamente por pandemia e não-governo terrorífico)
Enquanto assisto ao capítulo de estreia da mais nova série noturna – denominada ainda como Telenovela por acontecer em transmissão direta, passível, contudo, de ser acessada on-line através da plataforma oficial da maior Emissora da País, trazendo sua programação atual e antiga –
Na companhia de Brás, capto o feixe de pontos que me ligam à condição aparentemente estática de nós dois, reencontrados no campo (Pico da Serralha), bem em frente de uma tevê – Nada à toa, o nome Amora Mautner retorna nas telas e nas implicações de minha história sob o lastro de informações diversas e deformadas – distorções dos fatos correntes, facções do princípio básico da política e do elo com um território (vasto, continental, como é o nosso). Por força de um inviolável pacto de bem-estar coletivo –
Uma aceleração de imagens e vozes diante de nós, ao ponto da repetição máxima (propagandística/programática) e do emparedamento de vias vivas, acaba por enveredar no que ainda se chama, compactamente, de um título a outro, sem cessar anos sobre anos: Novela
Uma cidade verticalizada como São Paulo só pode ser compreendida através de travellings
Desde a novela-fluxo de 2021, Amora Mautner retraça o panorâmico, o plano geral de um entorno e de uma trama por movimentos em percurso horizontal. Dessa vez, como fica nítido no capítulo inicial da noite de hoje, imprimindo um procedimento que ocorre em planos de metrô, dos points mais referenciais da metrópole paulistana, passando dentro-e-fora dos apartamentos (pelas fachadas e pelos cômodos de luxuosas ou pequenas caixas-de-morar tal como concebeu e pintou o artista Rubens Gerchman)
Modos de trilhar o espaço sob a perspectiva de passos, passagens entre os blocos de edificação incessante e os cubos onde habitam pessoas as mais diferentes. Marcações pedestres em velocidade vivida, vista, porém, só agora, nos quadrantes do plano-tela.
Vem de imediato Ariana – o amor que mais durou mais para mim, sem coincidência com o tempo de sua vida Breve demais, foi se recolhendo a um somatório de fatores perturbadores de tão concretos, pontuados pela dor física, mas também perseguidores, evidentes ou não, próprios de um cerco em volta do menor respiro pela hora que passa
Atmosfera de peso se alastra no nosso ap-cercado e ganha domínios hospitalares, holísticos núcleos de cura, vai-vêm vetores do que podemos ser – ela, sobretudo, em um claro limite, lançada à ponta de algo sem forma de ser dita, tão morta está em experimento cru, verídico, instalada no que aparenta condição corrente, comum, contínua, e já se arrebentou (com um meio sorriso, os solilóquios por cima do mal-estar, da devastação irrefreada, falas expelidas entre medicamentos e indicações de repouso, contrária a todas as diagnoses minha mulher não cessa de intervir, língua em disparo acerca de planos, palcos onde queria estar como atriz vibrante, admirada de cara por quem a assistia)
Um resquício incubado de Corona Vírus ao fim do flagelo mundial assinalador do início da década de 20 dos 2000, mais uma pneumonia não de todo curada (é o que parece e nunca será sabido) A pressão arterial levada pelo corpo de Ariana ao pico por não-admissão do Crime em lugar da Política, sob falseamento de realidades, divisões bestiais dos direitos e dos valores do que tornam mulheres homens crianças idosos algo além de Síndrome Respiratória Aguda Grave: um nome surge para o que está levando Ariana e seu corpo a subir pelas paredes, a explodir as demarcações onde vivemos até me atingir, pondo-me para fora do nosso recinto habitável, do prazer mais imediato transmitido uma a outra, o mesmo corpo
Do contato feito para uma entrevista com ela (Rádio Cultura – Flashes da Cidade Agora), não mais nos separamos – Tive oportunidade de vê-la em cena nos coletivos textuais das novas dramaturgias, um toque de Pinter em BIRTHDAY PARTY, Suassuna em um carrossel urbano-sertanejo, um monólogo de Sarah Kane ao lado de uma vela (cenário destituído), um curta-metragem refeito das sobras de uma película –
Ariana Meira
“Tenho um lampejo bem secreto de um dia – uma noite nas telas – participar de uma TV assinada por Amora Mautner”
Capítulo 2
Ela evitava ser vista desfeita, não especialmente no que envolve sua beleza transfigurada pela doença-somatório (sumidouro inominável), mas no modo como vivia pronta para o mais imediato, um intento/projeto de produzir um Ato (onde for, especialmente na esfera ainda não incursionada, onde deseja se integrar, uma Amora Mautner TV)
Deu testemunho da sua íntima vontade, volição em meio a um reviver de dores novas e outras escavadas (mais para atrás no tempo ou na rememoração do que é dito como “depois de tudo”, entre vozes íntimas, familiares, falecidas e ainda presentes) até levá-la daqui e de uma só vez
Agora tem tudo a ver com o que vem antes, no embalo da perda de um projeto passado recoberto por algo não previsto, nunca antes ocorrido –
Ariana
“Acompanha-me, por ti desvelo, exatamente no seguimento de uma Novela”
Não se encontra na narração de um autor, único ou em parceria, o crivo para aferição de um tramado ficcional a correr paralelo, noite a noite, sob o concurso de uma conjunção eletrônica de aparelhos/aparatos. Bem mais, provém de um conjunto convulso de elementos, atuantes, atores e cenas em dispersão lançados ao rés do cotidiano, tendo na base uma escrita e uma transmissão em dada época, em certo contexto, simultaneamente enlaçadas, capazes de imantar e reinstalar a vertente alinhadora, linearizada da dita (ao fundo, em suma) vida real
“Vou dar mesmo início ao projeto Pós-Doc, Brás.
Não podia pensar antes desse nosso momento que tudo criaria vínculo com o vivido anteriormente. Longe daqui do Pico da Serralha, circunscrita ao meu quarto-sala na Cidade, não teria o pleno contorno de um ímpeto novo a cada dia, à altura de um segundo capítulo telenovelesco
Isso, assim mesmo, seguir, acompanhar o que está em curso (ou por meio do cursor visual-verbal-auditivo à mão, à frente, logo logo diferente dentro do espaço/esquadro dramático de sempre)

Rubens Gerchman – CASAS-DE-MORAR (Itaú Cultural)
– Sabe o que eu percebo na Novela, já há dois dias de sua estreia?
– Duas noites, vamos nos situar!
– Tudo em volta é tocado por ela, Novela. Na noite que se segue depois de um capítulo encerrado. Pela manhã que a antecede. Pendular, mais que presente.
Sabe, Beta, por mais entranhadas nesse nosso momento, a trama, a intercessão com o que estamos vivendo – como nunca antes – dias e noites sobre outros. Há uma espécie de transporte. Bem além da conciliação reparadora de um desfecho.
– Pelo meio do tempo. Numa só batida, este ano agora tem um registro que o suspende pelo meio.
– Para aí ficar, distendido e fracionado pela passagem de uma novela. Meio-do-tempo
Não à toa, dá para perceber por parte da Direção o metrô como medida narrativa. Em seguida o ônibus superlotado, simultaneamente o carro onde a Madame Má se blinda contra o pedido mendigo transeunte. Transporte feito Método. Não apenas por conta do compasso de uma fábula repetida para melhor incidir instantaneamente onde estamos e vemos algo que passa ao fundo (a narrativa popularizada, a mais difundida à noite, feito um resquício primordial de contar e passar)
Digito antes de me deitar. Demoro demais no falso abrigo da noite antes de ter um sonho. Cenas-Ações na Linha do que abarca e reluta ser meu próprio pensamento para a noite-manhã da próxima noite.
A TV está alagada à maneira de um invasivo Poltergeist bem real, retrospectivo da inundação dos moradores das periferias (a qualquer momento deslocados de suas moradias pela menor variação da Atmosfera)
FOME passou a ser um cartaz traficado em paralelo ao trânsito divisor de águas do que tem velocidade para avançar um sinal a mais do dia-a-dia permitido
Rostos em contorção no interior de vidros automóveis e na película áspera do asfalto com efeito falho deslizante. Entre planos-batimentos da via aberta por uma novela reticulada através – Olhos despertos ou não
3
Brás
Lar Laguna – O visor do celular me envia as notificações de nosso espaço condominial – Nós, da Associação Ecológica, temos de decidir, em reunião, sobre os projetos de construtoras na área em que temos residência protegida pela característica ambiental do entorno – Mata Atlântica – Inevitável, conversar com minha irmã sobre o que tomará boa parte desse dia que se inicia – Principalmente, porque ela está decidida a morar aqui
Beta
Importante demais a gente ter em mira os movimentos de habitação em Pico da Serralha Algum tipo de encaminhamento deve ser feito sobre a natureza de Lar Laguna antes que ganhe proporções maiores o projeto de urbanização em torno de nosso recanto Já chamo assim a casa que estou dividindo com você Amanhã mesmo vou pra São Paulo, passando lá coisa de dois dias Faço, então a mudança, ainda bem que é só trancar o muquifo que pude adquirir nessa vida. Sem maior prestação de contas de onde estou e vou, sem nada a saldar com alguém, já que há quase 6 anos vivo sozinha, você sabe: tive e aqui ali um gosto, uma gota de sexo Nenhum rastro deixado, solidão, isso sim, aguda, angustiada De tão patente acaba por virar um modo de estar lançada à sorte, sem mais perigo de atribuir a outra pessoa o desatino, o desacerto fundamental A cidade permite mais chance de encontro, enlaces sem maiores compromissos, por ser tudo rotativo e gigantesco Só que nesse agora a lei é urgência para firmar um ganho Nem lei chega a ser, a urgência vem de dentro e é de mim mesma a ser executado o trabalho de revolvimento do que sou e não, tendo de mais sentido o que está quase pronto para ganhar o lado de fora numa continuidade sem mais obstáculo Brás, nem sei como lhe agradeço Quero dar um beijo em você, irmão, irmão legítimo, quanto mais nosso parentesco se mostra acidental, ocasional, por força de um pai comum Quanto mais reconheço, sendo adotiva, o elo criado nesse ponto – um lugar bem preciso toma forma, onde firmamos um elo capaz de me dar sustento, segurança para eu prosseguir Ariana logo vem à mente, ganha presença, parece estar logo ali em frente, quando Beta começa a arrumar a pequena bagagem de fim-de-semana no Pico, na Serra, na Serralha, com plena compreensão de que aqui será um retiro duradouro, não apenas: um laboratório de épocas cruzadas para melhor ativar um ingresso em um presente sem interrupções, rompido com crises de sobrevivência, em descarte de uma mera meta para entrar no compasso do dia que logo vem em seguida
O q acontece qdo Novela está no Ar —
Somente eu estou na casa – em casa – enquanto Brás participa da reunião com os associados de Lar Laguna. Hoje ele não assistirá TV, em transmissão direta. Os ruídos da mata noturna me assustam. Pouco a pouco, ficarei acostumada com as explicações de meu irmão sobre o agito de animais e seres difíceis de nomear nesse espaço aberto, atlântico. “Nenhum temor deve existir por aqui, pois estamos retirados do centro da Serralha, tendo a proteção de um vigia residente numa morada-alojamento. A sensação invasiva não vem de humano nenhum. Tenha um bom sono”.
Tudo em volta é tocado por Novela Pelo tanto que esta forma de entretenimento, de alargado empreendimento, extrai das centelhas do Real seu ganho irrefreado de narração e dispersão no tempo — Retorno garantido ao ponto de se confundir com nossas vidas (ou seja, paródia e paralelo de habitar um entrecho, um trecho do tempo)
4
Dividi a noite entre relampejos de sonho (sono extenuado a eletrizar imagens pendentes do recém-vivido ou logo visto) e a escrita manual sobre a tese, o tema, que me conduzem ao projeto de investigação a permitir bolsa de estudos e a viagem já embalada para a Capital de Emoções (como já chamo o polo de onde estou partindo, SP, com os pés firmados no solo arenoso de Lar Laguna)
Metrópole Capital do País está apontada para as noites sequentes de Amora Mautner na TV (sob o aparente domínio invisível de uma Direção entrecortada por tramados, elencos, focagens, programações diversas da Emissora em entremeio) É lá, quero dizer: bem aqui, geografia paulistana, transcorre a ficção de milionários deserdados, arrivistas de uma enorme fortuna disputada em desvario criminal e seu plus: a presidiária protagonista, sacrificada na gradação em que se evidencia sua inocência capítulo sobre capítulo.
A única mulher com quem compartilhei uma vida queria estar lá sob as ordens de Amora M A atriz Ariana, participante de um show infanto-juvenil televisionado no cair das tardes de sábado Meu começo de adolescência em esbarros pelo acaso condutor ao convívio com a mulher mais duradoura até hoje em vida para mim, antes apenas eu atuava como uma espectadora da menina tesudinha loura à força. Baliza no corpo-de-baile armado para um Desfile de Sucessos Cantantes e Dançarinos fins-de-semana afora
Falo com o porteiro sobre minha ausência do ap por um tempo longo, todo esse meio-de-ano (mais a beirada do outro) Favor, guardar correspondência, havendo algo urgente aqui está meu número, um código, uma condição para que eu abandone a cidade e parte grande do que permaneceu à sombra de Ariana em menos de 50 metros quadrados agora lançados para o atlântico Pico com sua laguna ecológica cercada por projetos de construtoras vorazes ao redor ao rumor da ocupação de espaços expandidos de seus mais sólidos limites
BAILE TODA VIDA assim se chamou o programa de nós duas meninas crescidas (uma tela adentro, eu na assistência que me leva ao estúdio ao avesso, avivado pelo que me atrai na dançarina em formação feminina de escalão-sábado-show) Eu, desde cedo ao lado dela, pelo inverso, eu ou ela Rodopia a jovem algo perturbada por tudo que se diz sobre o que significam, numa só tacada, o real, a vida íntima e seu destino a partir do que é regulado como a verdade palpável, feita de carne e palavras em concreção (línguas crocantes em antevisto poder de toque nada mais falam)
ESTOU ME MUDANDO não só de um lugar, mas de um tempo (Bato com toda força a porta do apt)
